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Razões pelas quais os estabilizadores atrapalham a fonte do PC.

Posted by walfredo on 11 de janeiro de 2012 in Informática

 



Cansei de tanto explicar essa questão e desse modo preferi fazer um tópico a respeito. Sei não é um assunto novo, mas a insistência e a desconfiança se isso é real ou não, redundaram nessa matéria ai de baixo…
Espero seja útil..

De um modo bastante simples, sem muito aprofundamento, vou tentar lhe explicar as três principais agressões feitas pelo estabilizador à fonte de alimentação do PC:

Inicialmente há que conceituar o que o estabilizador faz, como faz, como age.. 
Um estabilizador nada mais é do que uma chave seletora de um de alguns "taps" (tomadas de saída) de um transformador ou de um autotransformador. Veja ai abaixo uma simplificação dessa topologia.

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Desse modo, é simples de se ver que o nome estabilizador não é a melhor definição para o mesmo, sendo que o mais correto seria seletor de tensão, cuja função é a de escolher dentre as tensões disponíveis a que se encontra mais próximo de 115 Volts AC, por exemplo. Para fazer essa seleção é natural e esperado que essa chave seletora saia de uma posição, e somente depois, passado um tempo, curto até, atraque, faça contato com outra posição de saída, pois se não der esse espaço de tempo haverá sobreposição de tensões de diferentes valores e isso significaria colocar a saída em curto circuito.. Sabido desse princípio de operação vamos ao que interessa…

1ª Agressão:
Ao ter que desligar de uma das saídas para logo após tomar a outra saída, passado um tempo, o que acontece com a fonte é que ela é desalimentada nesse intervalo de tempo, por menor que ele seja, os capacitores da fonte iniciarão um período de descarga que se continuado poderá levar a desalimentar seu PC. Esse tempo entretanto é curto o bastante para que a tensão dos capacitores da fonte não chegue a valores tão baixos assim que desarme seu PC. Cai a tensão sim sobre esses capacitores mas não a ponto de desligar seu PC.
Veja ai uma ausência de tensão dessas numa passagem de seleção típica de um estabilizador.. O famoso Tlec. Essa dai é a visão de um ciclo da senóide da rede elétrica.

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Se olharmos as características de uma fonte qualquer, lá nas especificações, se pode ver que seus capacitores são dimensionados para aguentar o tempo de um ciclo, 16 a 17 mili segundos aproximadamente segurando seu PC numa boa…
Veja ai e pode procurar em qualquer outra boa fonte pela mesma característica..

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Aquele tempo ali acima, visto no osciloscópio representa mais ou menos cerca de meio ciclo, talvez um pouco menos de distúrbio nessa alimentação da fonte, na hora do chaveamento da seletora do estabilizador, de modo que os capacitores não estarão descarregados totalmente, mas a ponto de ficar….

Até ai nada de mais, a chave seletora está trocando de posição para busca de uma "tensãozinha" melhor um pouco, enquanto isso sua fonte está sem escada e pendurada no pincel… 
Agora é que vem o problema… Fontes de alimentação, quando você as liga, ao chegar em seu PC para fazê-lo trabalhar, tem uma partida estressante demais, pois seus capacitores estarão completamente descarregados. Essa corrente de carga dos capacitores eletrolíticos tem um nome, se chama "inrush current", ou corrente de partida.
As fontes tem obrigatoriamente um dispositivo destinado a limitação dessa corrente de partida para que elas, essas correntes de partida, não assumam valores catastróficos e danosos para toda a etapa de entrada da fonte. Esse dispositivo se chama termistor, e tem um funcionamento muito simples e fácil de entender. Ele é um NTC (Negative Temperature Coeficient). Ou seja, traduzindo, ele é um componente resistivo que tem um coeficiente de resistência negativo, ou seja temperatura aumenta, a resistência diminui. Os termistores normais das fontes costumam ter uma resitência de 10 a 20 ohms quando em temperatura ambiente, reduzindo para menos de 1 ohm quando se aquece…

Ora, ao ligar a fonte o termistor está na temperatura ambiente e se tem desse modo um resistor de 10 a 20 Ohms em série com a alimentação e desse modo é capaz de limitar a corrente de carga dos capacitores da fonte. Ao passar essa corrente por dentro do termistor ele se aquece e durante o funcionamento normal da fonte ele é na verdade um resistor de menos de 1 Ohm que em nada atrapalha a fonte… Acontece que ele, para esfriar toma um tempo de no mínimo 1 minuto, senão mais.
Algum de vocês já ouviram alguma vez a recomendação de que, ao desligar algum aparelho eletro-eletrônico se esperasse, se desse um tempo para somente então liga-lo novamente. Pois justo esse tempo se destina ao resfriamento do termistor, para que no novo religamento ele possa estar lá cumprindo a função do mesmo..
Veja agora a "inrush current" típica de uma fonte. (são dados técnicos possíveis de serem encontrados no site das fontes quando o fabricante é lá coloca os dados).

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Veja ai… Essa fonte consultada garante uma corrente menor que 80 Amperes na hora da partida.. Eis ai a explicação daqueles "TUUUM" que acontecem ao ligar uma fonte.. Se ela estiver alimentada por um estabilizador por um no-break vocês sentirão que eles vão certamente "se peidar" para fornecer essa corrente dai.. O estabilizador, se mais fraco um pouco, vai metralhar alguns tlecs, pois não aguenta essa corrente dai..
Já vi muitos no-breaks mais simples "abrirem as pernas" ou nem sequer partir quando da "ligada da fonte"…

Isso tudo por causa da necessidade de carregar os capacitores da fonte, e mesmo com o protetor trabalhando, o termistor, que estava frio, ela, a fonte exige e exige muito na retomada da energia em função da tarefa árdua de carregar os capacitores..
Mas voltando a linha de raciocínio da explicação do porque o estabilizador atrapalha a fonte.. É fácil de concluir agora…
Se sabe que os capacitores, na comutação da chave seletora do estabilizador, não se descarregam até o fim, e isso é bom, um ponto positivo, mas em compensação tem um outro tremendamente negativo, nosso conhecido termistor, cuja função é limitar a corrente de entrada, que leva mais de minuto para se esfriar e voltar a ser operacional, estará tendo somente 8 mili segundo para tal. É isso mesmo, somente 0,008 segundos. Ou seja, o termistor estará fora dessa dai. A fonte e toda a sua etapa de entrada, seus filtros seus diodos tudo isso vai tomar uma corrente muito forte, mas muito forte mesmo, tão logo a chave seletora do estabilizador aportar no tap escolhido para fornecer tensão ao seu PC. Ou seja é uma porrada e tanto… Nem o fabricante especificou a fonte para isso, uma porrada em cada tlec do estabilizador. Ou seja, as fontes aguentam pois são muito boas… É por isso que se queima tantas fontes de PC por ai. Tem um estabilizador na frente.
As fontes de TV, do som, do game, não queimam tanto assim. Vai ver se elas tem estabilizador antes delas??? É claro que não…
Éssa é a primeira agressão do estabilizador a fonte de seu PC. Cada Tlec uma porrada fantástica… Alta corrente..

2ª Agressão:
Já se viu que a corrente que passa na hora do Tlec do estabilizador é "power", muito mais alta que a corrente normal de uso da fonte, pois se destina a recarregar os capacitores já com tensão bem mais baixa, e sem contar com o prestimoso auxílio do termistor, pois esse estará fervendo (de raiva) ..
Agora vou pedir que vocês que já estudaram isso pelo menos algum dia no colégio se recordem daquilo que lá vimos pelo nome de FCEM ou Força Contra Eletro-Motriz, que aparecia em um indutor no momento em que se cortasse a corrente elétrica que nele passava…
Quem não se lembrar visualize ai um livrinho de sacanagem no bom sentido, aqueles de dar choque… Uma pilha de 1,5 Volts , um indutor e um chispador, ou cigarra, ou campainha qualquer abrindo e fechando a corrente em cima do indutor são suficientes para gerar surtos de tensão de 60 a 100 Vezes maior que a tensão da pilha… É a FCEM.. Lembrem de como é gerada a faísca nas velas do motor do automóvel, é pela abertura de um indutor (bobina) e ai se consegue gerar surtos de tensão da ordem de 15 a 30 Mil volts, a partir dos 12 Volts da bateria do automóvel..
Ou seja: corrente, indutor, e abertura de circuito… É tudo isso que é necessário para geração de surtos de tensão..

- Mas indutor não é uma bobina de fio enrolada, assim como o transformador do estabilizador??? SIM…. 
- E abertura de circuito, não é aquilo que a chave seletora faz??? SIM..

Necessito dizer mais alguma coisa agora que vocês acabaram de conhecer uma excelente máquina de gerar surtos de tensão??? O estabilizador…

Não.. Pois vou lhe mostrar um desses surtos então.. Ai está, tem um valor próximo aos mil volts e se dá exatamente na abertura da chave , nunca no fechamento..

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Se vocês repararem a tensão de saída, depois da comutação, é um pouco mais baixa, pois a decisão naquela hora, da lógica do estabilizador, foi a de reduzir uns 6 volts na saída do mesmo. Viram o pico sobreposto ao semiciclo negativo da rede elétrica. Esse foi o surto de tensão gerado pela abertura da chave seletora do estabilizador… Se essa alimentação fosse de 220 Volts o valor instantâneo daquele valor negativo da forma de onda da senóide da rede, no exato instante aonde o surto foi gerado seria de 220 x raiz de 2 = 311 Volts. Fica fácil de ver que o tamanho do pico gerado tem uma tensão de mais ou menos o tamanho da tensão pico-a-pico da rede de 220 Volts. Desse modo, o valor pico a pico ai seria de 622 Volts que somados aos 311 da tensão da rede dariam lá bem perto dos 1.000 Volts… Direto para a sua fonte de alimentação, sem coisa nenhuma na frente, nem sequer o fusível do próprio estabilizador… nada, nada, diretasso para a sua fonte segurar…

Esse, os picos de tensão, os surtos de tensão gerados pelo estabilizador, na hora da abertura de sua chave seletora, é a segunda agressão do estabilizador a fonte…

3ª Agressão:
É sabido que a ordem de grandeza de tempo necessário para que um estabilizador "corrija" a variação que ele porventura tenha sentido na rede elétrica é da ordem de 30 a 50 mili segundos. Vamos ver nas especificações???

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Veja ai menor ou igual a 3 ciclos de rede. O ciclo de rede de 60 Hz tem um tempo de 1/60 = 0,01666 segundos. Três desses ciclos terão um tempo total de 50 mili segundos… Esse é o tempo necessário para o estabilizador "corrigir" a tensão de saída, segundo seu processo de escolha e seleção de uma tensão melhorzinha para seu PC…

Ora, uma fonte dessas de PC não raramente trabalha na frequência de 50 Khz e conseguirá retroalimentar e corrigir as suas saídas como devem ser, independentemente de que você tenha ligado um chuveiro, que a luz tenha piscado ou por causa do aumento repentino de corrente pedido pela GPU pois chegou a hora de processar uma grande explosão na tela…
Bem, o ciclo dessa fonte tem uma duração de 1/50000 = 0,00002 segundos ou 20 micro segundos..
Pois é isso dai, em 20 micro segundos a sua fonte seja ela genérica ou super moderna de marca, recuperará e disponibilizará para seu PC as tensões de modo correto.
Então, quando o evento perturbador da energia acontecer, digamos a ligada do chuveiro, a fonte corrigirá tudo ai em seu PC em 20 micro segundos, reajustando a largura dos pulsos aplicados ao transistor de entrada de modo a compensar a queda da tensão provocada pelo ligamento do chuveiro.. Isso em 20 micro segundos..
Passados outros 2500 tempos iguais a esses mesmos 20 micro segundos, portanto chegando ao tempo de 50 mili segundos após o ligamento do chuveiro, o estabilizador "metido de pato a ganso", vai lá e retoca a tensão e coloca mais ou menos 6 volts para colaborar com a tarefa que lhe foi atribuída…
Ao fazer essa miséria, a fonte, detetando a subida desses 6 volts vai lá, e em 20 micro segundos refaz a correção e tudo fica bem..
Desse modo, e de um modo muito simplista, se a fonte estivesse sozinha, no ligamento do chuveiro ela teria que trabalhar uma vez, para corrigir..
Com o estabilizador "ajudando", ela terá que trabalhar duas vezes… E assim vai… Essa é a terceira agressão do estabilizador a fonte, ou seja, é decretada que sua fonte terá que trabalhar em dobro necessite ou não…

Poderia colocar ai uma série de outros problemas derivados da adoção do estabilizador , mas não de toda a culpa dele… Cito o maior e mais comum deles… A enorme maioria dos estabilizadores que estão por ai no parque de PC's desse Brasil são estabilizadores de 300 VA de capacidade de entrega, a alimentar máquinas com fontes comuns de baixa ou média eficiência, em PC´s com 200 a 250 watts de demanda. Além do PC colocam lá, no estabilizador o monitor e sei lá mais o que. Se fizer as contas de modo correto estarão demandando mais de 600 VA de um estabilizador que foi projetado para fornecer somente 300 VA. Pronto para atear fogo na casa…

Finalizando e para alegrar o ambiente, dizia um colega (miptzi) numa visão tão bem realista quanto humorada do estabilizador ..

"Estabilizador é igual a zagueiro gordo… Chega sempre atrasado e quando vai ajudar o goleiro levantar, após ter tomado o gol, ainda pisa no saco do mesmo…"

Espero ter dado uma visão clara do que realmente pega com relação a convivência do estabilizador com a fonte, sem "achismos" e de uma maneira simples e ao mesmo tempo sem deixar de lado a visão técnica da coisa..

Quanto a decisão de usar ou não o estabilizador, cabe a cada um, afinal a grana é vossa.
Eu, se quiserem saber, tem mais ou menos 15 a 20 anos que não os uso mais…

Quanto aquelas histórias de que o tio do primo do vizinho usa e nunca… e coisas do tipo.. me poupem. Os trato bem e em altíssimo nível a ponto de me dar o trabalho de responder de modo consistente o que foi solicitado… Ou seja, contravenenos que venham mas no mesmo nível e não sem embasamento algum..

Luiz André Faller, 29/06/2009

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Citação:
Postado Originalmente por Iratenax Ver Mensagens
Agora eu pergunto, eu uso o estabilizador em meu pc, se eu tirar, e usando um filtro de linha comum(daqueles de R$ 28,00 vendidos em papelarias) não vai prejudicar em NADA o PC?

Nem prejudicar e muito menos ajudar. Aqueles chamados "filtros de linha" de R$ 28,00, em sua maioria não tem nenhum elemento de proteção dentro dele e algumas vezes tem, de filtragem um capacitor de R$0,10. Desse modo eles são na verdade uma extensão… Atrapalhar em nada, ajudar, em muito pouco ou nada também.. Se a idéia é proteção elétrica não adianta ela estar somente no nome e não dentro do dispositivo.

Citação:
Postado Originalmente por Iratenax Ver Mensagens
Será melhor utilizar estes filtros de linhas de papelaria do que o estabilizador?
O que quero saber afinal, é o que seria "menos pior"…

O filtro de linha de R$ 28 já vimos que muito provavelmente ou não tem proteção ou quando tem ela é pequena, irrisória. 
Se seu estabilizador for daqueles já contemplados pela nova norma, construído de 2008 para cá, já deve ter proteção, pois agora a norma exige, sem especificar a quantidade e qualidade, mas pelo menos deve ter a proteção. O filtro de R$ 28 não tem regulamentação alguma para ele, pode ter, como pode não ter, como pode ter e não prestar. Cada caso é um caso. Vantagem de não ter o estabilizador é não ter aquelas 3 agressões a fonte de que falamos no tópico, e isso é importante. Desse modo não confunda as coisas. A função de estabilizar a tensão, essa muito dificilmente você necessite. A função de proteção contra surtos de tensão, se é essa que você busca, busque-a isoladamente, numa boa régua de proteção/filtro de linha. Você não necessita colocar um estabilizador ai, com suas agressões junto, se o que busca é proteção elétrica..

Citação:
Postado Originalmente por Iratenax Ver Mensagens
Quero dizer, entendi as agressões e etc explicadas no tópico, porém ao ligar direto a fonte na tomada ou usando filtro de linha qualquer corremos algum risco? maior ou menor?

Veja como é interessante… Após conhecer um pouco mais sobre os problemas elétricos e suas soluções, essa pergunta ai é a que mais aparece….Correria muito risco se ligasse direto na tomada????
A melhor resposta é essa:
O risco que você correria de sua fonte ser danificada por algum surto de tensão é exatamente igual aquele que você correu por longos anos pensando que o estabilizador fazia esse tipo de proteção, quando isso não era verdade. Não tinha proteção alguma: Veja ai só para saber do que se trata, algumas placas de estabilizador pré norma e veja, em comparação, os componentes de uma real e boa proteção..
Estabilizador 01 Nenhum componente de proteção/filtragem
Estabilizador 02 Nenhum componente de proteção/filtragem
Estabilizador 03 Nenhum componente de proteção/filtragem
Proteção/filtro de linha Todos os componentes envolvidos em proteção e filtragem. Os principais, 9 Varistores, um micro disjuntor, dois fusíveis térmicos, dois indutores, um capacitor…

Citação:
Postado Originalmente por Leifr Erikson Ver Mensagens
Gostaria de saber: fizeste algum artigo, trabalho de conclusão de curso e/ou mestrado sobre fontes e estabilizadores ? Se tiver esses trabalhos online, podes disponibilizar o link aqui ?

Não. Minha formação é engenharia eletrônica mas desde o final dos anos 90 me dedico a mkt e análise de negócios. Eletrônica e informática é um apenas um hobby. Se os tivesse sem dúvida alguma disponibilizaria..

Citação:
Postado Originalmente por Redfield Ver Mensagens
1º Se eu retirar o estabilizador posso ligar a fonte direto na tomada sem problemas? 
Sem problema nenhum. Seu PC foi feito para ser ligado nela. Igual ao seu televisor, secador de cabelo, escova de dentes, forno de microondas. Se adicionalmente quiseres ter maior número de tomadas a disposição para ligar os diversos equipamentos que normalmente orbitam um PC, e ao mesmo tempo conferir proteção adicional contra surtos elétricos, adote uma boa régua de supressão de surtos e filtro de linha.

2º Isso é válido somente para fontes boas ou pode ser empregado a fontes genéricas? 
Pode sim ser empregado às fontes genéricas, que te garanto são tão ruins com estabilizador quanto são sem o mesmo. Isso conceitualmente. 
Veja, as boas fontes tem uma gama de variação da tensão de entrada dentro da qual as fontes ainda atrabalham bem e de modo normal. As fontes genéricas também dizem que tem esse mesmo range ou na maioria das vezes nada dizem. Ai vale também a questão acreditar no que estás comprando. Não vou eu garantir um desempenho de uma genérica que nem o fabricante garantiu, concorda??? 
Ou seja. Se você acredita que a genérica pode lhe dar segurança, desempenho, estabilidade da tensão, ausência de ruído elétrico, longevidade, então ok dá na mesma para qualquer tipo de fonte.. Afinal, se você acredita que ela dá a potência que promete, mal não faz também, por coerência, acreditar que ela vai lhe dar tudo o mais que citei acima…

3º Se aconselha um filtro de linha, quais seriam os indicados ? 
Assim de modo muito genérico tenho indicado para a tensão de 110 Volts algum da linha da APC e para 220 Volts tenho indicado o Clamper Computer Protector Pro e o FHT-1200 da Upsai

4º Quem mora em um prédio e não tem condições de fazer um bom aterramento pode ficar sem o estabilizador também? 
Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. Aterramento visa, em primeiro lugar a proteção do usuário do PC e em segundo, do ponto de vista elétrico, para seu PC, ele representa a existência de um caminho para a massa para que os dispositivos de proteção, estejam eles dentro de uma régua, de um estabilizador, de um no-break, de um módulo isolador, ou até mesmo dentro de uma caixa de sapatos possam atuar na resolução de espúrios induzidos na sua rede elétrica em modo comum (raios) que tem seu referencial no planeta TERRA. Dai a necessidade do aterramento para soluciona-los.

5º O No-Break também atrapalha o funcionamento da fonte assim como o estabilizador? 
Sim, se sabendo que ele possui, na maioria das vezes, dentro de si um estabilizador, para operação na existência de rede elétrica e de um modo adicional, uma outra agressão não vista no estabilizador, que é quando, na falta de energia na rede elétrica, a geração de energia a partir das baterias é feita através da forma de onda retangular, (não é a mesma da rede elétrica) também prejudicial às fontes de PC. Isso tudo nos no-breaks de baixo valor (mais ou menos nos preços de R$ 200 até R$ 700). São os no-breaks de geração de forma de onda senoidal por aproximação, ou semisenoidal, ou por steps, ou retangular controlada PWM, etc. Os no-breaks com geração de forma de onda senoidal pura não sofrem desse último mal..

6º Se encostar o meu estabilizador, ele poderia ter utilidade em outro eletrodoméstico, se sim em qual seria?
Com certeza total, no refrigerador, ou condicionador de ar, se ele tiver a potência necessária para isso. Refrigeradores com tensão abaixo de 100 Volts AC, aproximadamente, nem partem. O mesmo para condicionadores de ar.. As fontes de PC geralmente operam muito bem mesmo com 90 Volts de alimentação, e algumas comprovadamente operam em 80 VAC ou até com tensões mais baixas… veja ai uma coletânea das especificações de entrada de uma série de fontes que colhi.


Última edição por faller : 29/04/2009 às 23:53 H

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Fonte:  http://forum.clubedohardware.com.br/razoes-pelas-quais/663018

 

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A privataria tucana

Posted by walfredo on 11 de dezembro de 2011 in Política

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Tucanos se complicam após lançamento de livro sobre esquema de corrupção no governo FHC

Posted by walfredo on 11 de dezembro de 2011 in Política

 


Privataria

Privataria Tucana revela esquema bilionário de corrupção

A situação nacional do maior partido da direita brasileira, o PSDB, fica ainda mais complicada diante do lançamento de A Privataria Tucana, livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior. Disponível nas livrarias desde a noite passada, a obra reúne, em 343 páginas, todo o processo de privatização realizado ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 90, que dilapidou patrimônios públicos como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. O livro revela, ainda, documentos inéditos sobre a transferência de bilhões de reais para esquemas de lavagem de dinheiro e pagamentos de propina aos altos escalões da República. O ex-governador de São Paulo, José Serra, que também é do PSDB, assim como o então presidente Fernando Henrique Cardoso são citados como cúmplices no ciclo de corrupção.

– O livro tem sido, de longe, o mais vendido aqui, até agora – resume um funcionário de uma das maiores livrarias na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Amaury Jr. já previa que a compilação dos documentos reunidos em A Privataria Tucana renderia no conteúdo explosivo que os jornais conservadores ainda tentam abafar. Apenas um comentário, do ex-presidente FHC, foi consignado na edição deste sábado do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Nele, o acusado de deixar passar um dos maiores crimes já cometidos contra o patrimônio público brasileiro preferiu apenas descredenciar o autor das denúncias. Citado como um dos vilões no episódio, o candidato tucano derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, novamente preferiu o silêncio.

– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico – disse o jornalista à revista Carta Capital, em uma entrevista que reproduzimos a seguir.

Lavagem de dinheiro

À revista Carta Capital, Amaury revela que decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso quando ainda era repórter do diário conservador carioca O Globo, nos idos de 2000.

– Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.

– Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?

– Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do (diário conservador mineiro) Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do Estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.

– Ficou surpreso com o resultado da investigação?

– A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).

– O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?

– Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.

– Você foi chamado para acabar com os vazamentos?

– Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.

– Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?

– Havia dentro do grupo de Serra um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.

– Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?

– Aquilo foi uma armação, pagaram a um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.

– E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?

– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.

– Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas...

– É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.

Daniel Dantas

As pistas deixadas por bilhões de reais movimentados nos esquemas fraudulentos revelados em Privataria Tucana, segundo Ribeiro Jr, levam ao banqueiro Daniel Dantas, condenado recentemente por uma série de crimes ligados à lavagem de dinheiro.

– Esses tucanos deram uma sofisticação à lavagem de dinheiro. Eram banqueiros, ligados ao PSDB. Quem estava conduzindo os consórcios das privatizações eram homens da confiança do Serra. É um saque (financeiro) que eles fizeram da privatização brasileira. Eles roubaram o patrimônio do país, e eu quero provar que são um bando de corruptos. A grande força desse livro é mostrar documentos que provam isso – afirmou, em conversa com jornalistas de um portal da internet.

O livro detalha o esquema de corrupção que teria, no comando, amigos e parentes de Serra e de outros líderes da direita brasileira, alguns ainda no Democráticos (DEM) e no recém-fundado Partido da Social Democracia (PSD).

– Há 20 anos, como diz o próprio livro, investido essas contas, rastreando tudo. Hoje sou um especialista (em lavagem de dinheiro). O tesoureiro do Serra, o Ricardo Sérgio, criou um modus operandi para gerir o dinheiro no exterior e eu descobri como funcionava o esquema. Eles mandavam todo o dinheiro, da propina, tudo, para as Ilhas Virgens, que é um paraíso fiscal, e depois simulavam operações de investimento, nada mais era do que a internação de dinheiro. Usavam umas off-shores, que simulavam investir dinheiro em empresas que eram dele mesmo no Brasil, numa ação muito amadora. A gente pegou isso tudo – afirmou.

Amaury Jr. nega que tenha cooptado alguém para realizar escutas telefônicas: “Não teve quebra de sigilo, como me acusaram”.

– São transações que estão em cartórios de títulos e documentos. Quando você nomeia um cara para fazer uma falcatrua dessa, você nomeia um procurador, você nomeia tudo. Rastreando nos cartórios de títulos e documentos, a gente achou tudo isso aí. Não tem essa história de que investiguei a Verônica Serra (filha do ex-governador), que investiguei qualquer pessoa ou teve quebra de sigilo. A minha investigação é de pessoa jurídica. Meu livro coloca documentos, não tem quebra de sigilo, comprova essa falcatrua que fizeram – resume.

– Segundo seu livro, esse esquema teria chegado a movimentar cifras bilionárias então?

– Bilionárias, bilionárias. (O esquema era realizado por) banqueiros ligados ao PSDB, formados na PUC do Rio de Janeiro e com pós-graduação em Harvard. A gente é muito simples, formado em jornalismo na Cásper Líbero, mas aprendi a rastrear o dinheiro deles. Eles inventaram um marco para lavar dinheiro que foi seguido por todos os criminosos, como Fernando Beira-Mar, Georgina (de Freitas que fraudou o INSS), e eu, modestamente, acabei com esse sistema. Temos condenações na Justiça brasileira para esse tipo de operações. Os discípulos da Georgina foram condenados por operações semelhantes às que o Serra fez, que o genro (dele, Alexandre Bourgeois) fez, que o (Gregório Marín) Preciado fez, que o Ricardo Sérgio fez.

– Está dito no seu livro que pessoas ligadas a Serra que teriam participado desse esquema?

– Ricardo Sérgio, a filha (Verônia Serra), o genro (Alexandre Bourgeois), Preciado, o primo da mulher dele, e, acima, (o banqueiro) Daniel Dantas, o cara que comandava todo esse esquema de corrupção – crava.

No livro, Amaury Jr. afirma que faria parte das operações uma sociedade entre Verônica Serra, filha do ex-governador Serra, e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas.

– Conto como Verônica Serra e a Verônica Dantas se uniram para implementar um pagamento de propina muito evidente para o clã Serra. Inventaram essa sociedade entre elas em Miami. Quem investe nessa sociedade? Os consórcios que investiram e ganharam (na privatização): o Opportunity, o Citibank. Eles que dão o dinheiro, está no site deles próprios. Em 2002, quando Serra era candidato a presidente do Brasil, o Dantas quis chantagear. Quem revelou isso aí? Fui eu, o jornalista investigativo? Foi a própria revista IstoÉ Dinheiro que revelou a sociedade de Dantas e o clã Serra. Porque ele tinha dificuldade em compor a Previ, do governo, do Banco do Brasil. Ele estava chantageando os tucanos para compor com ele. Veja como o Dantas é manipulador nessa história toda. Primeiro veio a matéria para justificar o dinheiro dessa corrupção, dizendo que a Verônica Dantas havia enriquecido porque era uma mártir das telecomunicações. Depois, veio uma matéria fajuta… Quando não o satisfazia, (Dantas) chantageou o Serra. Para compor com a Previ, que estava com problemas com a Telecom, naquele processo todo – relembra.

O jornalista afirma, ainda ter descoberto que a sociedade de Verônica Dantas e Verônica Serra “não acabou, como disseram. Foi para as Ilhas Virgens, sendo operada pelo Ricardo Sérgio”.

– Para quê? Jogar dinheiro aonde? Para a própria filha do governador do Serra. Mapeei o fluxo do dinheiro, esses caras roubaram, receberam propina, e a propina está rastreada. O dia em que o Dantas deu a propina da privatização, peguei a ponta batendo no escritório da filha dele lá no (bairro paulistano do) Itaim-Bibi. O Dantas pagou pro Serra. A parte da propina do Serra está documentada – garante.

A propina seguia, então, das Ilhas Virgens para as contas dos donos do poder, naquela época, e quem conduzia o processo eram os consórcios das privatizações, diz o livro, “todos liderados por homens da confiança do Serra. (O líder) era o Ricardo Sérgio Oliveira. Foi caixa de campanha dele. Isso é um saque que eles fizeram da privatização brasileira”.

– Na condição de diretor internacional do Banco do Brasil, o Ricardo Sérgio assinou uma portaria que permitia a bancos brasileiros possuir contas em bancos correlatos no Paraguai, e vice versa. Essa medida tinha como pretexto facilitar a movimentação de dinheiro dos brasileiros que possuem comércio no Paraguai. No entanto, se transformou no maior duto para lavagem de dinheiro. Em vez do dinheiro vir para o Brasil, os doleiros passarama a usar esse mecanismo pra mandar todo o dinheiro para uma agência do Banestado em Nova York. Pode-se dizer que Ricardo Sérgio atuou nessa ponta da lavanderia do Banestado – disse.

E continuou: “Segundo ponto: Ricardo Sergio foi o grande artesão dos consórcios das empresas de telecomunicações durante as privatizações, no governo FHC. Ele conseguia manipular a formação dos grupos porque controlava o Fundo de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), e decidia a forma como o Previ participaria dos consórcios. Ele conseguia isso porque o presidente do Fundo era um aliado dele, o João Bosco Madeiro da Costa.

– Por fim, Ricardo Sérgio criou a metodologia de usar as offshores nas Ilhas Virgens Britânicas, principalmente no Citco. Essas offshores eram usadas pra internar (trazer de volta ao Brasil) dinheiro que saiu ilegalmente do país, por meio de uma rede de doleiros.

Quem indicou Ricardo Sergio para o Banco do Brasil, segundo Amaury Jr., foi “Clovis Carvalho, homem muito próximo de FHC (foi ministro da Casa Civil) e Serra”.

Fogo amigo

De acordo com o livro, o jogo pesado nas eleições também estava presente na equipe de campanha da presidenta Dilma Rousseff. O vazamento de informações sigilosas de dentro do comitê da candidata, segundo Amaury Jr., era uma ação coordenada de dentro do próprio partido.

– Eu achava que era coisa do (ex-delegado federal Marcelo) Itagiba ou do (candidato a vice-presidente, deputado do PMDB, Michel) Temer. Aí vem a surpresa: era o fogo-amigo do PT. Do Rui Falcão (atual presidente do PT e deputado estadual) – acusa.

O episódio rendeu ao autor de A Privataria Tucana um processo, ao qual responde na Polícia Federal, em que é acusado pela quebra do sigilo fiscal da filha de Serra para um suposto dossiê encomendado pela equipe de campanha da atual presidenta.

– Claro. Por quê? Quebra de sigilo fiscal. É um crime administrativo que só se imputa a funcionário público. O inquérito todo da Polícia Federal é uma fraude, não tem foco. Foi aberto para apurar quebra de sigilo fiscal e abrange tudo. Nunca vai atingir a mim. Mas precisavam ter um herói, e me jogar para o público. A imprensa (conservadora) queria o último factoide para jogar sobre a Dilma no segundo turno. O que fizeram? Deturpar meu depoimento na Polícia Federal. Eu nunca disse que quebrei sigilo de nenhuma pessoa, mas o cara da Folha (de S. Paulo) disse, ele deturpou, induziu todo mundo a dizer que confessei ter quebrado o sigilo fiscal. Ele mentiu sobre um depoimento na Polícia Federal, e a mídia toda espalhou isso. Era a única arma dessa imprensa carrasca, que mostrou seu lado. Eu nunca disse isso, meus quatro depoimentos são coerentes, têm uma lógica. A imprensa foi bandida – aponta.

Sem resposta

Procurado pelo Correio do Brasil, neste sábado, o ex-governador paulista José Serra não atendeu às ligações. Já o ex-presidente FHC, questionado em uma entrevista na FSP sobre os relatos feitos por Amaury Jr. preferiu desqualificar o jornalista.

– O autor desse livro está sendo processado. Está na Polícia Federal (PF). Até lá, quem está sub judice é ele – disse.

FHC aproveitou para defender Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, citado por Amaury no livro como o grande operador do esquema de corrupção.

– Eu não tenho nada que o desabone – afirmou.

Outro tucano, cotado para concorrer à Presidência da República nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves também preferiu não comentar a obra na qual é citado pelo autor.

– Eu não li ainda, quando eu ler eu comento com vocês – concluiu, em conversa com repórteres em Salvador, onde esteve na noite passada, para uma série de compromissos partidários.

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Piratas na Somália – Video

Posted by walfredo on 24 de novembro de 2011 in Defesa, Economia, Naval, Política

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Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo

Posted by walfredo on 25 de outubro de 2011 in Economia

Da New Scientist – 22/10/2011

Visão crítica: Revelada a rede capitalista que domina o mundo

Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.]
 

Além das ideologias

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas – sobretudo bancos – tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.

A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.

Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial

A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial – tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial

Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas – na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo – as chamadas blue chipsnos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.

E isso não é tudo.

Super-entidade econômica

Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.

E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração – 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum – e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas

  1. Barclays plc
  2. Capital Group Companies Inc
  3. FMR Corporation
  4. AXA
  5. State Street Corporation
  6. JP Morgan Chase & Co
  7. Legal & General Group plc
  8. Vanguard Group Inc
  9. UBS AG
  10. Merrill Lynch & Co Inc
  11. Wellington Management Co LLP
  12. Deutsche Bank AG
  13. Franklin Resources Inc
  14. Credit Suisse Group
  15. Walton Enterprises LLC
  16. Bank of New York Mellon Corp
  17. Natixis
  18. Goldman Sachs Group Inc
  19. T Rowe Price Group Inc
  20. Legg Mason Inc
  21. Morgan Stanley
  22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
  23. Northern Trust Corporation
  24. Société Générale
  25. Bank of America Corporation
  26. Lloyds TSB Group plc
  27. Invesco plc
  28. Allianz SE 29. TIAA
  29. Old Mutual Public Limited Company
  30. Aviva plc
  31. Schroders plc
  32. Dodge & Cox
  33. Lehman Brothers Holdings Inc*
  34. Sun Life Financial Inc
  35. Standard Life plc
  36. CNCE
  37. Nomura Holdings Inc
  38. The Depository Trust Company
  39. Massachusetts Mutual Life Insurance
  40. ING Groep NV
  41. Brandes Investment Partners LP
  42. Unicredito Italiano SPA
  43. Deposit Insurance Corporation of Japan
  44. Vereniging Aegon
  45. BNP Paribas
  46. Affiliated Managers Group Inc
  47. Resona Holdings Inc
  48. Capital Group International Inc
  49. China Petrochemical Group Company

 

Bibliografia:

The network of global corporate control
Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston
arXiv
19 Sep 2011

http://arxiv.org/abs/1107.5728

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Elaine Tavares: Ilegal e imoral

Posted by walfredo on 29 de setembro de 2011 in Economia

A dívida é ilegal e imoral

27/9/2011 18:56

Por Elaine Tavares – de Florianópolis, no Correio do Brasil

No Brasil é assim: tudo pode ser adiado, menos o pagamento das dívidas externa e interna. E isso não é conversa de “esquerdista”. É coisa firmada na lei. Quem explica é Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida. Segundo os estudos feitos pelo movimento que luta por uma auditoria, levantados desde as informações oficiais, só no ano de 2010 o orçamento nacional foi consumido em 44,93% (635 bilhões de reais) para pagamento de juros das dívidas. Isso significa que do bolo todo que o governo tem para gastar quase a metade já nasce morto. Da outra metade que resta para investimentos, o governo gasta apenas 2,89% com educação e 3,91 com saúde. Por conta disso, mais de 60% dos brasileiros não tem água tratada nem saneamento. Isso na sétima economia do mundo.

Diante desses números, Fatorelli mostra como e por que a dívida acaba consumindo o dinheiro que deveria servir para dar uma vida melhor à população. Segundo ela, a Constituição, no artigo 166, estabelece que um deputado só pode pedir aumento no orçamento se indicar de onde virão os recursos. Mas se o aumento do orçamento incidir sobre o pagamento do serviço da dívida isso não é necessário. “Isso configura claramente um privilégio e foi aprovado. Está lá, na Constituição”. Da mesma forma, a Lei de Diretrizes Orçamentárias define que o orçamento deve ser compatível com o superávit, assim como a famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal obriga os governantes a cortar gastos no social, mas não os dispensa do pagamento da dívida. Ou seja, a dívida sempre em primeiro lugar, pois, se o governante não pagar, vai preso. “Mas ninguém vai preso se as pessoas morrem nas portas dos hospitais, se as crianças não têm escola”.

Fatorelli explica que o privilégio para o pagamento da dívida segue no desenho das metas da inflação, diretriz de política monetária proposta pelo Fundo Monetário Nacional que é seguida a risca pelo governo brasileiro. Isso se expressou, por exemplo, na criação da taxa Selic, a qual boa parte da dívida esteve e está atrelada. Essa taxa sempre é elevada, cada vez que há um suposto perigo para os investidores. Isso significa que quem investe nos papéis da dívida nunca vai perder.

Conforme Maria Lúcia o governo trabalha com inverdades no que diz respeito à política monetária. Um exemplo é justamente esse de tornar necessário o aumento da taxa Selic para conter a inflação. “Isso não é verdade. Aumentar a taxa Selic não controla a inflação nos preços existentes, porque eles decorrem da privatização. A luz privatizada, a água privatizada, a saúde, etc. O aumento dessa taxa só serve aos que têm papéis da dívida”. Outra conversa furada é a de que o excesso de moeda provoque inflação. “A montanha de dólares que entra no país só acontece porque o próprio governo isenta as empresas multinacionais de imposto. Não é decorrente da circulação de mercadorias reais. É fruto do movimento virtual de papéis”.

A entrada de dinheiro se dá da seguinte forma. Nas operações de mercado aberto (bolsa) que hoje superam meio trilhão de reais, o Banco Central entrega títulos da dívida para os bancos e fica com os dólares. Nessas operações, o Banco Central – que em tese é o Estado brasileiro – só consegue amealhar prejuízos. Em 2009 foram 147 bilhões de prejuízos, em 2010, 50 bilhões e neste primeiro semestre de 2011 já foram 44 milhões. Por conta disso, Fatorelli insiste em dizer que os gestores do Estado são responsáveis sim por essa política que arrocha cada dia mais a vida do povo. Os bancos lucram e o povo é quem paga a conta.

Outra coisa que muito pouca gente sabe  – porque a mídia não divulga – é que todo o lucro das empresas estatais é direcionado, por lei, para pagamento da dívida. O mesmo acontece com os recursos que os estados da federação pagam ao governo central. Toda e qualquer privatização que acontece carrega o valor da venda para pagamento da dívida, assim como os recursos que não são utilizados no orçamento também passam para o bolo do pagamento da dívida.

Maria Lúcia Fatorelli afirma que essa é uma estratégia de manutenção de poder e acumulação que não mudou sequer um centímetro com o governo de Lula ou Dilma. Os papéis da dívida rendendo 12% ao mês são o melhor negócio que alguém pode ter. Tanto que em 2010 houve um acréscimo de mais 12 bilionários no Brasil e desse número, oito são banqueiros. A lógica do pagamento da dívida garante risco zero aos investidores, que são os mesmos que financiam as campanhas eleitorais e patrocinam a mídia. Assim, tudo está ligado.

No meio dessa farra de dinheiro público indo para bolsos privados, há uma ilusória distribuição da riqueza. O governo acena com pequenos ganhos aos pobres, como é o caso da bolsa família. Vejam que esse programa consome apenas 12 bilhões ao ano, enquanto a dívida leva 635 bilhões. O governo também coloca como um grande avanço o acesso das classes C e D a produtos baratos e o acesso a crédito e financiamento. Mas na verdade, o que promove é o progressivo endividamento dessas pessoas. Por outro lado, o Brasil tem um modelo tributário que é um dos mais injustos e regressivos. “Quem ganha até dois salários mínimos tem uma carga tributária bem maior do que os demais trabalhadores. E os ricos, no geral, são isentos de imposto. Já os empresários são frequentemente presenteados com deduções generosas, inclusive sobre despesas fictícias, que nunca foram feitas, enquanto os trabalhadores não podem deduzir do imposto despesas reais como aluguel, remédios, óculos”.

A ilusão de que as contas estão boas também se dá na espalhafatosa decisão de pagar adiantado ao FMI, que trouxe dividendos políticos a Lula, mas acarretou em mais rombos aos cofres públicos, tirando dos gastos sociais para colocar no bolso dos banqueiros. Foi um resgate antecipado de títulos da dívida, feito com ágio de até 70%, para que não houvesse qualquer perda aos investidores.

Agora em 2011 o governo de Dilma Roussef iniciou anunciando o corte de 50 bilhões do orçamento, como um “ajuste necessário”. Faltou dizer, necessário para quem? Para os especuladores. Há que pagar a dívida. O Brasil consome um bilhão de reais por dia no pagamento da dívida. Fatorelli procurar dar uma visão concreta do que seria um bilhão. “Imaginem um apartamento, desses bem finos, que custa um milhão de reais. Um bilhão equivaleria a cem edifícios de 10 andares, sendo um apartamento por andar. É isso que sai do nosso país todos os dias”.  Não é sem razão que enquanto os trabalhadores são massacrados e não recebem aumento salarial, os bancos tenham auferido um lucro de 70 bilhões de reais no ano passado. É a expressão concreta da regra do mundo capitalista: para que um seja rico, alguém tem de ser escravo.

Na verdade o processo da dívida externa e também da dívida interna deveria sofrer uma auditoria e é nessa luta que um grupo de pessoas anda já há algum tempo. Maria Lúcia Fatorelli foi membro da comissão que auditou as dívidas do Equador, quando o presidente Rafael Correa decidiu realmente saber como funcionava o rolo compressor e ilegal da dívida daquele país. Segundo ela, no Equador, comprovou-se que mais de 70% da dívida era ilegal, fruto de anos e anos de acordos espúrios e irresponsáveis, muito parecidos com os que foram feito no Brasil. Correa decidiu não pagar e 95% dos seus credores aceitaram a proposta sem alarde, pois sabiam que se fossem discutir na justiça internacional correriam o risco de ter de devolver muitos bilhões.

Hoje, no Brasil, uma auditoria provaria muitas ilegalidades e até crimes de lesa pátria. Como explicar, por exemplo, que se pague 12% ao mês aos investidores enquanto o Banco Central brasileiro aplica suas reservas em bancos estrangeiros, que pagam juros pífios? Como aceitar que o Banco Central acumule prejuízos enquanto encha as burras dos investidores dos papéis podres? Por isso que a tão falada crise não pode ser vista como uma mera crise financeira. Ela é social e ambiental, pois coloca o salvamento dos bancos acima até da vida do planeta.

Como funciona o esquema dos papéis podres

Há um mito de que no mundo capitalista quem manda no movimento das coisas é o mercado. Ele define tudo, preços, valor, tudo baseado na oferta e procura. Assim, em nome desse mito criou-se a concepção de desregulamentação do mercado. Ou seja, o estado não pode interferir nesse movimento. Assim, o mercado, que é bem espertinho, sem um equivalente concreto de riqueza decidiu criar os famosos papéis podres, ou ativos tóxicos, ou derivativos. E o que é isso? Bom, para entender há que se fazer um bom exercício de abstração.  Imagine que a pessoa compra uma casa e ela vale um milhão. Aí a pessoa define que daqui a um ano ela estará valendo dois milhões, então vai ao mercado de ações e vende dois milhões em papéis. Desses dois milhões, apenas um tem valor real, está ali, consolidado em uma casa real. O outro milhão é fictício. Ele só existe no desejo.  Imagine que venha um furacão e danifique a casa. Lá se vai aquele milhão em papel podre, e quem comprou esses papéis perde tudo que investiu. Foi mais ou menos isso que aconteceu na crise imobiliária estadunidense.

Agora imagine que os bancos fazem isso todos os dias. Eles jogam ações no mercado e não precisam provar que essas ações têm uma correspondência real. Os derivativos são nada mais nada menos do que apostas. O mercado sabe que é uma aposta, e para não perder ele estabelece um seguro. Assim, se acontecer dos derivativos virarem pó, eles não perdem nada. E quem é que paga para os bancos continuarem quebrando a vida real dos que investem nos papéis podres? Nós. Porque quando os bancos entram em risco de quebra, como aconteceu lá nos Estados Unidos, o Estado vai e socorre. Para se ter uma idéia, na crise, o banco central estadunidense chegou a repassar 16 trilhões de dólares para salvar os bancos da bancarrota. O que mostra que é uma falácia esse negócio de “mercado livre”. O mercado só é livre quando há lucros, quando há prejuízos quem paga a conta é povo.

Então, quando aparece na televisão a crise na Grécia, os protestos na Espanha, na Itália, Irlanda, França e mesmo no Brasil, já se pode saber que o que está acontecendo é exatamente isso. Os países estão se endividando para salvar investidores e pagar as dívidas que contraem nessa roda viva de papel podre. Assim, define Fatorelli, a crise no setor financeiro dos países é falsamente transformada em crise da dívida. E os países então colocam sob os ombros do povo o pagamento de suas “apostas” mal feitas ou ilegais.

No Brasil a dívida externa chega a 350 bilhões e a dívida interna aos 2,5 trilhões. A dívida bruta consome 70% do PIB e o governo paga os maiores juros do mundo. É uma festa interminável para os investidores mundiais, sem risco algum. O governo de FHC consumiu, só em juros, dois trilhões de reais, o governo Lula, 4,7 trilhões. Tudo o que se diz na televisão sobre os problemas que o estado tem com o orçamento é mentira. Há dinheiro suficiente, mas ele é usado para enriquecer, sem riscos, os investidores. Não bastasse isso, ao longo dos anos, as taxas de juros, que garantem os maiores lucros do mundo, são definidas por “especialistas”. Desse grupo que orienta os juros 51% são representantes dos bancos e 35% representam o sub-grupo de gestão de ativos. Ou seja, eles atuam em interesse próprio. Só isso já bastaria para se dar início a uma séria investigação sobre o tema da dívida. Porque da forma como tudo acontece, assoma claramente a intenção do prejuízo à nação. Vem daí a proposta de uma auditoria, aos moldes da que fez o Equador. Mas, para isso precisaria haver uma decisão política. Por que será que ela não acontece? É hora de a gente pensar…

Elaine Tavares é jornalista, editora do boletim do IELA-UFSC

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“Erundina vê ‘jogo’ com Comissão da Verdade”

Posted by walfredo on 8 de setembro de 2011 in Política

“Para deputada, pressa do Planalto em aprovar projeto não é sincera, mas uma manobra para dar satisfação rápida à pressão da Corte da OEA”

A OEA, como se sabe, condenou de forma contundente a Lei da Anistia do Brasil, o que pode jogar o Brasil na categoria de “pária do sistema jurídico internacional”.

Não poderá aspirar, sequer, a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, já que não pune crimes contra a Humanidade.

(Como se sabe, quem defendeu na OEA a tortura do jeitinho  brasileiro, quer dizer, a “nossa” Lei de Anistia que acoberta e perdoa  torturadores como o coronel Ustra, foi o valoroso jurisconsulto Sepúlveda Pertence.)

(Clique aqui para ler o que diz o professor emérito Fábio Comparato sobre as duas caras do Brasil na questão da tortura.)

(Tanto Pertence quanto Comparato trabalharam no Supremo com o inesquecível Evandro Lins e Silva. Hoje, Evandro saberia distinguir com facilidade o fruto de que se orgulhar.)

O objetivo da Comissão da ½ Verdade, na opinião de Erundina, é evitar constrangimentos internacionais ao Brasil.

(Como o de ser inapelavelmente condenado pela OEA, já que não se dispõe a punir torturadores, ou seja, autores de crimes contra a Humanidade.)

Além do mais, a Comissão da ½ Verdade,  não terá, segundo Erundina,  autonomia orçamentária; terá um prazo curto para trabalhar – dois anos; e terá pouca gente: apenas sete pessoas para investigar a tortura num regime militar que durou dez anos.

(Por falar nisso, leia o que diz o Luiz Claudio Cunha sobre o “feiticeiro” Golbery, aquele que é “benfeitor em Rio Grande e malfeitor no Brasil”.)

Ou seja, a Comissão da ½ Verdade saiu como queriam o Nelson Johnbim e o Genoino.

Será ½.

Na mesma página do Estadão, se lê breve entrevista da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, que diz:
“A revisão da Lei da Anistia não está na agenda do Governo… Se rompêssemos este pacto (sic) que foi instituído, em torno do qual está sendo construído um consenso (sic), não chegaríamos nem à Comissão da Verdade”.

Viva o Brasil !

Que inveja da Argentina !

(Menos no basquete !)

Em tempo: chamar a Comissão da Verdade de “Comissão da ½ Verdade” é obra deste ansioso blogueiro e, não, da Deputada Erundina, que é uma pessoa notoriamente bem educada.

Paulo Henrique Amorim

———————————————–

Nosso comentário:  A mais importante missão da comissão da verdade é esclarecer os mecanismos utilizados pelos golpistas. Como se atacou o estado de direito anterior, quais as empresas, empresários, e organizações que financiaram e articularam o golpe. Assim, o principal motivo para se organizar uma comissão da verdade não é perseguir os militares que caíram na esparrela de perpetrar um golpe, mas criar os instrumentos para proteger o atual estado de direito e responder as seguintes questões: Como garantir que os meios de comunicação não sejam utilizados contra a democracia? Como garantir que o domínio das armas não seja concentrado em poucas mãos, possibilitando a ditadura das armas? Como garantir que o poder econômico (Banco Central + grandes grupos financeiros) ou o Poder Judiciário não venham a assumir formas absolutas e antedemocráticas? Como diminuir a ingerência estrangeira no país – Ministros, Deputados, Senadores e Governadores devem ou não poder articular com autoridades estrangeiras sem o aval do Itamarati ou da Presidência? O que as ONGs podem ou não fazer no Brasil?

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FAB responde ao Fantástico. É o “caosaéreo” do PiG

Posted by walfredo on 9 de agosto de 2011 in Aérea, Defesa, Política

[1]

É assim que o PiG (*) quer que você, amigo navegante, veja o "caosaéreo"

 

O Cumprindometas reproduz nota da FAB, onde repudia reportagem do Fantástico:
 

Nota Oficial – Esclarecimentos sobre reportagem do Fantástico exibida em 07/08/2011 [2]

O Comando da Aeronáutica repudia veementemente o teor da reportagem do jornalista Walmir Salaro, levada ao ar no Fantástico deste domingo, sete de agosto, e no Bom Dia Brasil desta segunda-feira, oito de agosto.

A matéria em questão parte de princípios incorretos e de denúncias infundadas para passar à população brasileira a falsa impressão de que voar no Brasil não é seguro. A reportagem contradiz os princípios editoriais da própria Rede Globo ao apresentar argumentos com falta de Correção e falta de Isenção, itens considerados pela própria emissora como sendo atributos da informação de qualidade.

O jornalista embarcou em uma aeronave de pequeno porte (aviação geral), que tem características como nível de voo, rota, classificação e regras de controle aéreo diferentes dos voos comerciais. A matéria trata os voos sob condições visuais e instrumentos como se obedecessem as mesmas regras de controle de tráfego aéreo, levando o espectador a uma percepção errada.

O piloto demonstra espanto ao avistar outras aeronaves sobre o Rio de Janeiro e São Paulo, dando um tom sensacionalista a uma situação perfeitamente normal e controlada que ocorre sobre qualquer grande cidade do mundo. Nesse sentido, causa estranheza que a reportagem tenha mostrado a proximidade dos aviões como algo perigoso para os passageiros no Brasil. As próprias imagens revelam níveis de voo diferenciados, além de rotas distintas.

Além disto, o piloto que opta por regras de voo visual, só terá seu voo autorizado se estiver em condições de observar as demais aeronaves em sua rota, de acordo com as regras de tráfego aéreo que deveriam ser de seu pleno conhecimento. Mesmo assim, o piloto receberá, ainda, avisos sobre outros voos em áreas próximas.

Foi exatamente o que ocorreu durante a reportagem, que mostra o contato constante dos controladores de tráfego aéreo com o piloto. Desde a decolagem foram passadas informações detalhadas sobre os demais tráfegos aéreos na região, sem que houvesse qualquer perigo para as aeronaves envolvidas.

A respeito da dificuldade demonstrada em conseguir contato com o serviço meteorológico, é interessante lembrar que há várias frequências disponíveis para contato com o Serviço de Informações Meteorológicas para Aeronaves em Voo (VOLMET), que está disponível 24 horas por dia em todo o país. Além destas, há frequências de ATIS (Serviço Automático de Informação em Terminal) que fornecem continuamente, por meio de mensagem gravada e constantemente atualizada, entre outros dados, as condições meteorológicas reinantes em determinada Área Terminal, bem como em seus aeroportos. Como, aliás, é o caso da Terminal de Belo Horizonte, incluindo os aeroportos da Pampulha e de Confins.

Ressalte-se que, a despeito da operação de tais serviços, todos os pilotos têm a obrigação de obter informações meteorológicas antes do voo pessoalmente nas Salas de Informações Aeronáuticas dos aeroportos, por telefone ou até pela internet.

Ao realizar o voo sem, possivelmente, ter acessado previamente informações meteorológicas, o piloto expôs a equipe de reportagem a uma situação de risco desnecessário. Tratou-se, obviamente, de mais um traço sensacionalista e sem conteúdo informativo.

A respeito do momento da reportagem em que o controle do espaço aéreo diz que não tem visualização da aeronave, cabe esclarecer que o voo realizado pela equipe do Fantástico ocorreu à baixa altitude, em regras de voos visuais, uma situação diferente dos voos comerciais regulares.

Na faixa de altitude utilizada por aeronaves como das empresas TAM e GOL, extensamente mostradas durante a reportagem, há cobertura radar sobre todo o território brasileiro. Para isso, existem hoje 170 radares de controle do espaço aéreo no país. Como dito acima, é feita uma confusão entre perfis de voos completamente diferentes. Dessa forma, o telespectador do Fantástico ficou privado de ter acesso a informações que certamente contribuem para a melhor apresentação dos fatos.

No último trecho de voo da reportagem, o órgão de controle determinou a espera para pouso no Aeroporto Santos-Dumont. O que foi retratado na matéria como algo absurdo, na realidade seguiu rigorosamente as normas em vigor para garantir a segurança e fluidez do tráfego aéreo. Os voos de linhas regulares, na maioria das vezes regidos por regras de voo por instrumentos, gozam de precedência sobre os não regulares, visando a minimizar quaisquer problemas de fluxo que possam afetar a grande massa de usuários.

A reportagem também errou ao mostrar que Traffic Collision Avoidance System (TCAS) é acionado somente em caso de acidente iminente. O fato do TCAS emitir um aviso não significa uma quase-colisão, e sim que uma aeronave invadiu a “bolha de segurança” de outra. Essa bolha é uma área que mede 8 km na horizontal (raio) e 300 metros na vertical (raio).

Cabe ressaltar ainda que a invasão da bolha de segurança não significa sequer uma rota de colisão, pois as aeronaves podem estar em rumos paralelos ou divergentes, ou ainda com separação de altitude, em ambiente tridimensional.

A situação pode ser corrigida pelo controle do espaço aéreo ou por sistemas de segurança instalados nos aviões, como o TCAS. Nem toda ocorrência, portanto, consiste em risco à operação. O TCAS, por exemplo, pode emitir avisos indesejados, pois o equipamento lê as trajetórias das aeronaves, mas não tem conhecimento das restrições impostas pelo controlador.

Todas as ocorrências, no entanto, dão início a uma investigação para apurar os seus fatores contribuintes e geram recomendações de segurança para todos os envolvidos, sejam controladores, pessoal técnico ou tripulantes. É esse o caso dos 24 relatórios citados na reportagem. A existência desses documentos não significa a ocorrência de 24 incidentes de tráfego aéreo, e sim uma consequência direta da cultura operacional de registrar todas as situações diferentes da normalidade com foco na busca da segurança.

A investigação tem como objetivo manter um elevado nível de atenção e melhorar os procedimentos de tráfego aéreo no Brasil, pois é política do Comando da Aeronáutica buscar ao máximo a segurança de todos os passageiros e tripulantes que voam sobre o país. Incidentes e acidentes não são aceitáveis em nenhum número, em qualquer escala.

Sobre a questão dos controladores de tráfego aéreo, ao contrário da informação veiculada, o Brasil tem atualmente mais de 4.100 controladores em atividade, entre civis e militares. No total, são mais de 6.900 profissionais envolvidos diretamente no tráfego aéreo, entre controladores e especialistas em comunicação, operação de estações, meteorologia e informações aeronáuticas.

Para garantir a segurança do controle do espaço aéreo no futuro, o Comando da Aeronáutica investe na formação de controladores de tráfego aéreo. A Escola de Especialistas de Aeronáutica forma anualmente 300 profissionais da área. Todos seguem depois para o Centro de Simulação do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), inaugurado em 2007 em São José dos Campos (SP). Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, o ICEA ampliou de 160 para 512 controladores-alunos por ano, triplicando a capacidade de formação e reciclagem.

Vale salientar que a ascensão operacional dos profissionais de controle de tráfego aéreo ocorre por meio de um conselho do qual fazem parte, dentre outros, os supervisores mais experientes de cada órgão de controle de tráfego aéreo. Desse modo, nenhum controlador de tráfego aéreo exerce atividades para as quais não estejam plenamente capacitados.

A qualidade desses profissionais se comprova por meio de relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). De acordo com o Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira, dos 26 tipos de fatores contribuintes para ocorrência de acidentes no país entre 2000 e 2009, o controle de tráfego aéreo ocupa a 24° posição, com 0,9%. O documento está disponível no link:

http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/19/PANORAMA_2000_2009.pdf [3]

A capacitação dos recursos humanos faz parte dos investimentos feitos pelo DECEA ao longo da década. Entre 2000 e 2010, foram R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão somente a partir de 2008. O montante também envolve compra de equipamentos e a adoção do Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITÁRIO), um novo software nacional que representou um salto tecnológico na interface dos controladores de tráfego aéreo com as estações de trabalho. O sistema tem novas funcionalidades que permitem uma melhor consciência situacional por parte dos controladores. Sua interface é mais intuitiva, facilitando o trabalho de seus usuários.

Os resultados desses investimentos foram demonstrados pela auditoria realizada em 2009 pela International Civil Aviation Organization (ICAO), organização máxima da aviação civil, ligada às Nações Unidas, com 190 países signatários. A ICAO classificou o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre os cinco melhores no mundo. De acordo com a ICAO, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.

Sem citar quaisquer dessas informações, para realizar sua reportagem, a equipe do Fantástico exibe depoimentos sem ao menos pesquisar qual a motivação dessas fontes. O Sr. Edileuzo Cavalcante, por exemplo, apresentado como um importante dirigente de uma associação de controladores, é acusado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, motim e incitação à indisciplina, e responde por essas acusações na Justiça Militar.

O Sr. Edileuzo Cavalcante foi afastado da função de controlador de tráfego aéreo em 2007 e recentemente excluído das fileiras da Força Aérea Brasileira. Em 2010, também teve uma candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.

Quanto à informação sobre as tentativas de chamada por parte do controlador de tráfego aéreo, Sargento Lucivando Tibúrcio de Alencar, no caso do acidente ocorrido com a aeronave da Gol (PR-GTD) e a aeronave da empresa Excel Aire (N600XL) em 29 de setembro de 2006, cabe reforçar que elas não obtiveram sucesso devido à aeronave da Excel Aire não ter sido instruída oportunamente a trocar de frequência e não a qualquer deficiência no equipamento, conforme verificado em voo de inspeção. Durante as tentativas de contato, a última frequência que havia sido atribuída à aeronave estava fora de alcance, impossibilitando o estabelecimento das comunicações bilaterais.

Já quando foi consultar o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a equipe de reportagem omitiu o fato que trataria de problemas de tráfego aéreo. Foi informado que se tratava unicamente sobre a evolução do tráfego aéreo de 2006 a 2011.

Por fim, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ressalta que voar no país é seguro, que as ferramentas de prevenção do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro estão em perfeito funcionamento e que todas as ações implementadas seguem em concordância com o volume de tráfego aéreo e com as normas internacionais de segurança. No entanto, este Centro reitera que a questão da segurança do tráfego aéreo no país exige um tratamento responsável, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, pessoais ou políticos.

Brasília, 9 de agosto de 2011.

Brigadeiro-do-Ar Marcelo Kanitz Damasceno

Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

 

Fonte: conversaafiada.com.br

 

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Onde estava você no golpe militar?

Posted by walfredo on 9 de agosto de 2011 in Política

 

O Cumprindo metas publica artigo de Emir Sader, retirado da Carta Maior [2]:

 

Onde estava você no golpe militar?

Os países costumam ter momentos fundamentais, em que se decidem os seus destinos. Nesses momentos cada pessoa, cada força política, cada meio de comunicação, todos, revelam suas posições profundas, os interesses que defendem, de que lado estão. O golpe militar de 1964 foi esse momento decisivo na história do Brasil, quando a democracia foi questionada e finalmente derrubada e destruída por uma ditadura militar.

Daí que faz todo sentido perguntar para cada um: Onde estava você no golpe militar?

Havia dois discursos, antagônicos. Um, o da defesa da democracia e extensão das suas conquistas, com a incorporação de setores cada vez mais amplos aos seus direitos fundamentais. A favor da extensão da democratização do Brasil – da sociedade e do seu Estado.

O outro, assumido por toda a mídia, junto com os partidos de oposição e o governo dos EUA, era de que os riscos à democracia que representaria o governo de Jango, justificariam um golpe militar preventivo. Argumento típico da guerra fria, que mobilizou forças contra a democracia, promovendo golpes militares em muitos países do continente. Foi exatamente o que aconteceu no Brasil.

“Nas palavras do presidente (sic) Castello Branco proferidas na solenidade de posse há uma nítida convocação para que a obra de reconstrução se faça com a colaboração indistinta de todas as classes, das produtoras e das trabalhadoras, das armadas e das civis, das eventualmente saudosistas do antigo regime e das que se regozijaram com a sua deposição.” O ditador é tratado, no título do editorial, como: “O Presidente de todos”, pelo jornal dos otavinhos. A manchete do dia do golpe – primeiro de abril – foi: “Ademar: 6 estados sublevam-se para derrubar Goulart.” Nenhuma menção à palavra golpe, menos ainda a ditadura e à intervenção dos militares, aliados com o grande empresariado, com os partidos de oposição, com a hierarquia da Igreja Católica e com o governo dos EUA.

Nesse momento crucial da nossa história, que mudou a nossa história de forma tão radical na direção da ditadura contra a democracia, de um modelo econômico excludente contra a inclusão social, pela aliança subordinada com os EUA contra a soberania nacional – nesse momento, cada um mostrou sua cara, disse de que lado está. Do lado da democracia ou da ditadura, dos interesses nacionais ou do entreguismo, da inclusão social ou da exclusão social.

É fácil, depois que a resistência popular derrubou a ditadura, tergiversar com a palavra democracia, esconder o passado, tentar embaralhas as coisas, para buscar impedir que se recorde onde estava cada um no dia primeiro de abril. Mas tudo está consignado pela história. O editorial mencionado acima é apenas um dessa empresa e de todas as outras – à exceção da Última Hora, que por isso mesmo não sobreviveu -, de apoio e incentivo ao golpe e à instauração da ditadura militar. Que venham a publico desmentir ou se arrependerem, se consideram que cometeram o pior erro que se pode cometer, de atentado grave e reiterado á democracia.

Todos os que estivemos do lado de cá, de defesa da democracia, não temos nada a esconder, nos orgulhamos disso e seguimos coerentes com essa luta. Estávamos, no primeiro de abril, e seguimos estando, do lado da democracia, dos interesses populares e nacionais.

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Carro flex pode fracassar, dizem usineiros

Posted by walfredo on 9 de agosto de 2011 in Economia, Política

TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO

Diante da queda de competitividade do álcool em relação à gasolina e da falta de um plano estrutural para o setor, os produtores de cana começam a admitir a possibilidade de o programa flex fuel fracassar, como ocorreu com o Pró-Álcool.

O presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Marcos Jank, disse ontem que, se não houver mudanças significativas no setor, o consumo de etanol hidratado deve cair ainda mais, diminuindo o interesse dos consumidores e da indústria nos carros flex.

Segundo os dados mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo), as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras caíram 22% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2010.

Em contrapartida, as vendas de gasolina subiram 15% no mesmo intervalo.

"Se não houver alta da gasolina, mudança na Cide [tributo incidente sobre os combustíveis] e redução importante de custos, a produção de hidratado não vai crescer, o consumo dos carros flex vai crescer cada vez menos e vai desestimular a produção dos automóveis flex", disse.

"Se não fizermos nada pelo hidratado, a tendência é que apenas o anidro cresça", acrescentou. O etanol anidro é misturado à gasolina, enquanto o hidratado abastece diretamente os carros flex.

PREÇO

O motivo da queda nas vendas do hidratado é o preço. Diante da estabilidade do valor da gasolina no mercado interno, o álcool tornou-se menos atrativo para o motorista –a Petrobras não mexe no preço da gasolina nas refinarias desde 2009.

Na semana passada, era mais vantajoso para o consumidor abastecer seu carro flex com etanol em apenas quatro Estados, segundo pesquisa da ANP: São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

Nos outros, o litro do hidratado custava 70% (ou mais) do valor litro da gasolina.

"O consumidor escolhe pelo bolso", disse Adriano Pires, presidente do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). "Corremos o grande risco de acabar com o carro flex, da mesma forma como acabou o carro a álcool. A história se repete", acrescentou.

PLANEJAMENTO

A falta de um planejamento estratégico para o setor é outra queixa dos usineiros.

Os investimentos em canaviais estão praticamente paralisados desde a crise financeira de 2008, e os produtores aguardam uma sinalização do governo para investir.

Hoje, as usinas conseguem abastecer com álcool apenas 45% da frota flex, segundo estimativa da Unica.

Mas, para o presidente da Açúcar Guarani, Jacyr Costa Filho, não é possível comparar o fracasso do Pró-Álcool com a crise atual do setor.

"A diferença é que agora o consumidor pode escolher entre o álcool e a gasolina no momento da compra do combustível, não ao comprar o carro", afirma.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/956593-carro-flex-pode-fracassar-dizem-usineiros.shtml

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Nosso comentário: Vários grupos estrangeiros vieram para o Brasil e compraram o controle acionário da maioria das empresas ligadas ao já tradicional setor de álcool brasileiro. Agora plantam notícias pedindo auxílio ao governo para manter o programa do álcool que vinha muito bem sem sua presença. O governo deve responder com concorrência, aumentar a produção da Petrobrás e diminuir a compra de álcool anidro (misturado à gasolina). O que o governo não deve fazer é justamente o requerido, sou seja, criar mecanismos que impliquem em subsídio ao álcool. Se os investidores estrangeiros não estiverem satisfeitos com a rentabilidade do negócio podem revender sua participação para a Petrobrás. Ela está comprando.

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